Provavelmente, você já ouviu falar sobre o nomadismo digital. Esse estilo de vida, que permite às pessoas trabalharem de forma remota enquanto viajam o mundo, tem despertado cada vez mais interesse e ganhado adeptos, em especial aqueles que sonharam com uma vida mais flexível, autônoma e livre.

Apesar de recentemente ter se tornado popular, esse lifestyle ainda é relativamente novo e poucas pessoas sabem ao certo o que é, como começar nesta jornada, quais são as profissões que permitem essa flexibilidade e quais são os prós e contras.

Se você quer se tornar nômade digital, mas ainda tem muitas dúvidas, medos e curiosidades sobre a rotina desses profissionais, criamos um manual completo com dicas e passos para você começar a se planejar. Confira!

Afinal, o que é ser nômade digital?

O termo “nômade digital” se refere a profissionais que aproveitam a facilidade de ter acesso à internet em qualquer lugar do mundo para trabalharem remotamente. Essas pessoas usufruem da tecnologia para viajar pelo próprio país ou por outros continentes, mas sem abrir mão de um trabalho remunerado e da carreira.

Existem dois pontos fundamentais para compreender e desmistificar a vida nômade. O primeiro é ter claro que o nomadismo digital não é uma profissão, mas um estilo de vida. O segundo é que não é equivalente a um ano sabático ou uma viagem de férias, muito pelo contrário: os nômades passam mais tempo em casa por causa do trabalho do que na rua para fazer turismo.

Segundo a blogueira Gabriela Temer, a rotina é muito semelhante à de qualquer profissional CLT. “No meu dia a dia, eu fico no blog escrevendo todos os posts, roteiros e dicas no Juju na Trip. Também fico no Instagram resgatando algumas viagens, editando fotos e buscando conteúdos interessantes. Dedico cerca de 8 horas por dia apenas nesse projeto”, afirma.

Quem pode ser nômade digital?

Atualmente, fala-se muito da possibilidade de adaptar as mais diversas carreiras para uma vida online e flexível.

Se você é médico, por exemplo, pode criar um curso online, um produto digital ou um site e falar sobre a sua área e suas experiências. Já os advogados, podem atender clientes por meio de uma plataforma de videoconferência. Até os engenheiros têm a possibilidade de se tornarem consultores e levarem a carreira para o mundo virtual.

No entanto, há algumas profissões que não exigem a presença física do trabalhador e, por isso, são as mais comuns entre os nômades digitais. São elas:

  • jornalistas;
  • redatores;
  • revisores;
  • professores de línguas que dão aulas pela web;
  • afiliados de infoprodutos;
  • secretárias virtuais;
  • assistentes remotos;
  • blogueiros de viagem;
  • fotógrafos;
  • analistas de redes sociais;
  • tradutores;
  • ilustradores;
  • programadores;
  • web designers.

Quais as vantagens do nomadismo digital?

Quem tem a oportunidade — e, claro, a coragem — de se tornar um nômade digital, tem diversos benefícios em seguir a carreira de forma independente. Entre as principais estão:

  • receber uma remuneração em qualquer local do mundo;
  • poder viajar com frequência;
  • ter flexibilidade de criar os próprios horários de trabalho e rotina;
  • ganhar dinheiro e ainda aproveitar para conhecer novas cidades ou países;
  • poder conhecer pessoas e culturas novas constantemente;
  • manter-se dentro do mercado de trabalho, mesmo à distância;
  • ter mais qualidade de vida do que em um emprego tradicional;
  • aprender outros idiomas.

Existem desafios dentro do nomadismo digital?

É claro que não é apenas de prazer que é feita a vida de um nômade. Se por um lado esse estilo de vida oferece uma experiência única, por outro pode exigir resiliência para encarar muitos desafios.

Alguns dos principais obstáculos — e que podem se transformar em dificuldades para quem adere a uma vida de trabalho enquanto viaja — são:

  • viajar para um local onde não há conexão de internet nem wi-fi. Esse fator é um dos que mais preocupam nômades digitais. Por isso é importante estudar sobre o destino e escolher bem as suas casas;
  • ter que se manter em constante pesquisa sobre os próximos países, quais são as possibilidades de moradias, as condições climáticas e se existe a necessidade ou não de vistos. Acredite, isso é trabalhoso e demanda muito tempo;
  • não ter os benefícios e a estabilidade de um trabalho formal. Isso faz com que o profissional esteja sempre em busca de novos clientes, além, é claro, de que tenha uma reserva financeira para emergências e meses com menos serviços;
  • não aproveitar tanto o destino em que se encontram, pois não são turistas e precisam trabalhar.

Quais as diferenças entre trabalho remoto e nomadismo digital?

Como já comentamos acima, ser nômade digital é algo relativamente novo, enquanto o trabalho remoto já é bastante comum na maioria das empresas.

trabalho remoto — ou home office — é feito por profissionais que, normalmente, são freelancers ou funcionários contratados de uma corporação. Por só dependerem do uso da internet, têm a flexibilidade de fazê-los diariamente de casa.

Além disso, o trabalho remoto pode exigir a presença física do profissional no ambiente empresarial — para reuniões ou outras atividades. Assim, ele não pode viajar sempre que quiser. 

Já o nomadismo digital é diferente. Ele não cobra que a pessoa esteja em um local fixo ou que visite presencialmente os clientes. Isso é o que permite que estejam sempre na estrada enquanto fazem o trabalho à distância.

Será que você tem o perfil para ser nômade digital?

Sem dúvidas a vida de um digital nomad é interessante e atraente. Porém, infelizmente, nem todos têm o perfil para levar um estilo de vida que exige desapego, foco e muita organização.

A personalidade de um profissional que viaja enquanto trabalha de forma remota, em geral, inclui características como:

  • não ter a necessidade de vínculos empregatícios;
  • ter espírito aventureiro;
  • ser extremamente comprometido e produtivo, afinal, um nômade digital precisa distinguir momentos de lazer e de trabalho — mesmo em novos países;
  • ser minimalista, pois o excesso de bagagens atrapalha o deslocamento — além de gerar custos adicionais na hora de viajar de avião para novos destinos;
  • ter facilidade de conviver com pessoas diferentes e com as mais variadas culturas.

Como se tornar, então, nômade digital?

Caso você já tenha considerado as vantagens, os desafios e decidiu que tem o perfil para ser um nômade digital, prepare-se para embarcar nessa experiência. Confira agora alguns passos:

Planeje-se financeiramente

Como já citamos acima, é fundamental que você se planeje e tenha um dinheiro reservado para passagens aéreas, hospedagens, alimentação e seguro de viagem nos meses ou períodos em que estiver com poucos clientes.

Pesquise sobre os destinos

Vale fazer um roteiro dos países que pretende morar e se informar sobre esses destinos. Veja se há locais confortáveis, sem burocracias e com preços acessíveis para alugar; se há boa conexão com a internet; e como será com a questão de vistos, vacinas e outras exigências do governo local.

Estruture o seu negócio antes de sair do Brasil

Antes de embarcar, encontre ao menos dois trabalhos que poderá fazer como nômade. Você deve ter o seu negócio bem estruturado, já com clientes e com o fluxo de caixa condizente aos gastos do país de destino. E atenção: tudo isso antes de sair de casa.

Documentos

Não se esqueça de deixar tudo acertado no seu país de origem. Contas e dívidas devem estar 100% organizadas para que você não tenha problemas ao retornar.

Além disso, se possível, deixe um familiar como seu Representante Legal no Brasil. Com uma procuração assinada, a pessoa poderá resolver qualquer problema que possa surgir com bancos e cartões de crédito, por exemplo.

É importante ressaltar que a jornada até se tornar um nômade digital de sucesso leva tempo. Como sugere a blogueira Gabriela Temer, é preciso se planejar muito antes de vender todos os seus pertences e cair na estrada.

Você perceberá também que os desafios em se tornar um nômade digital surgirão, mas com dedicação, comprometimento e muito esforço é possível criar um negócio próprio que gere lucros e renda e ainda conhecer o mundo. Quer coisa melhor?